26 de abril de 2020
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Postado por Delta em 26/abr/2020

Desemprego no Piauí durante a quarentena pode afetar 70 mil trabalhadores até junho

A escalada do coronavírus já põe pelo menos 70 mil demissões à vista até o mês de junho no Piauí. Foi o que apurou a reportagem do OitoMeia com empresários, sindicatos e trabalhadores. Atingidos pelas políticas de isolamento social, os setores de bares, restaurantes, hotéis e o comércio, lideram as negociações em meio à pandemia da Covid-19.
Se por um lado os empresários falam em “grave crise” e “desilusão com a retomada da economia”, por outro, os empregados batem cabeça para entender o que aconteceu com a folha de pagamento. Também falam em suspensão de direitos, denunciam demissões em massa, e afirmam que empregadores tem “dado pressão” para que assinem os avisos prévios.

O Piauí já teve, só neste período de cerca de um mês desde início da quarentena, 1,5 mil demissões e mais de 3 mil suspensões de contratos apenas em empresas de restaurantes e hotelarias. Pelo menos 200 motoristas e cobradores já assinaram avisos prévios de demissão e a estimativa é de que o número chegue à 1.200 no transporte público de Teresina.
Esses dados foram apurados pela reportagem com os respectivos sindicatos dos setores: o Sindicato dos Trabalhadores em Hotelaria e Gastronomia do Piauí (Sintshogastro) e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro). Já o Sindicato dos Empregados no Comércio e Serviço de Teresina (Sindcom), fala em “milhares” de ações judiciais contra empresários por demissões sem pagamento de direitos trabalhistas.
SUSPENSÃO DO COMÉRCIO

A novela do desemprego ocasionada pelo coronavírus teve início no Piauí no dia 21 de março, e oficialmente, no dia seguinte. O texto assinado pelo governador Wellington Dias, e em Teresina por Firmino Filho, suspendia o comércio e levou pelo menos 50% dos 1 milhão de habitantes da capital, principal polo comercial, para dentro de casa. A decisão do governante e do gestor polarizou a opinião da população, entre aqueles que olhavam para os terríveis números de mortes em países da Europa e temiam um colapso na saúde piauiense, e os que já anunciavam o cenário de demissão e recessão econômica, no Piauí, estado que já ocupa a nona posição entre os que mais possuem pessoas em condição de pobreza ou extrema pobreza.
Por hora, acordos entre algumas empresas e trabalhadores tentam adiar o inevitável. Grupos como o do restaurante mais badalado de Teresina, que é o Coco Bambu, optaram por férias coletivas para empregados, por exemplo. Empresas de supermercados e lojistas e supermercados decidiram por propor reduções de jornada e salário. No entanto, para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio), Valdeci Cavalcante, com as cidades paradas, os empregadores não aguentaram esse cenário por muito tempo. Em março, Valdeci afirmou que a Fecomérco orientou os empresários a evitarem demissões, mas já faz um mês desde que o Piauí está em quarentena, e Cavalcante avalia que veremos “muitas demissões” já a partir da segunda-feira (27/04).

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