14 de fevereiro de 2018
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Postado por Delta em 14/fev/2018

Em Campo Maior, retratos da fome e miséria de um povo abandonado pelo poder público

A fome e a miséria estão mais perto da gente do que imaginamos. Enquanto muito se discute pelo que já foi feito, a situação de muitas famílias no Piauí está na linha da falta de humanidade. O 180 constatou que, município de Campo Maior, um dos maiores do estado, o problema social em que muitas pessoas vivem, na zona urbana da cidade, apesar do que muito se diz fazer, é mais crítico do que se pensa.

A situação de muitas pessoas nesta cidade não é nenhuma novidade, tampouco diferente do restante do Piauí, onde as pessoas sequer sabem o que vão comer na próxima refeição.

Confira  a seguir seis histórias de pessoas simples, esquecidas pelo poder público, que sonham com uma casa, um calçamento na rua, um emprego, uma aposentadoria, mas que têm em comum uma coisa, que até então as mantém: fé em Deus.

A PROVIDÊNCIA DIVINA NAS HORAS DE NECESSIDADE

Rita, Califórnia, 47 anos, bairro Califórnia

“Meu marido está desempregado, vive de bicos. Não posso trabalhar em casa de família porque tenho problema na vesícula, sinto muita dor. Minha filha está desempregada. Gente desempregada é difícil, tem o gás, a água, tudo para pagar, fica difícil. Meu marido arruma um bico aqui e acolá, quando ele arruma dinheiro, ele me dá. Graças a Deus, Deus na hora providencia. Sou uma mulher que lava uma roupa, faço uma faxina, quando não tenho eu peço, não faço é roubar, mas pedir eu peço. Como quando preciso de R$ 2, R$ 3 para comprar um quilo de feijão, de arroz. Eu recebo bolsa família e faço uma compra que dá até 20 dias, ai tem que comprar material para meus meninos, é difícil a minha vida. Eu me emociono, meus filhos foram criados com tudo que era bom, meu marido era empregado, hoje fico imaginado o que vamos comer”

Dona Rosa fala como a providência divina ajudou sua família nos últimos anos

Dona Rosa fala como a providência divina ajudou sua família nos últimos anos

“Mas eu tenho tanta fé em Deus, nos santos, que numa boa hora chega. No natal ganhamos não sei quantas cestas [básicas], chegou um homem com uma cesta numa hora boa. Aqui não tinha um macarrão, uma sardinha, mas pensei: ‘Deus me arruma’. Deviam olhar mais para as pessoas pobres, eu acho né, me alistei não sei quantas vezes naquelas casas para ganhar uma. Aqui não é meu, é de herança, qualquer hora uma pessoa chega, vende a casa e eu fico com o que? Eu tenho quatro filhos para criar, com um netinho, são seis pessoas aqui, eram sete, saiu uma, ficou essas seis boca para almoçar, as coisas estão difíceis”

A TRISTEZA DE UM PAI DE FAMÍLIA

Gilvan com o filho no colo e as dificuldades para manter a família

Gilvan com o filho no colo e as dificuldades para manter a família

Gilvan, 30 anos, bairro Califórnia

“Não estou trabalhando no momento, desempregado, tenho um filho. Para sustentar minha família está difícil. A gente se vira fazendo um carvão. Agora no inverno fazer carvão no dá. Graças a Deus minha mãe manda uma ajuda para mim enquanto aparece alguma coisa, mas aqui em Campo Maior mesmo está difícil serviço. Estou tentando levantar uma casinha para minha família e estou conseguindo com as forças de Deus. Estamos passando umas necessidades. Minhas coisinhas já estão se acabando, as de comer, as coisas do menino estão acabando também e estou aqui com minha cabeça pensando onde vou conseguir arrumar pelo menos um bico de uma semana para eu comprar as coisas. Em Campo Maior o poder público poderia melhorar mais, gerar mais empregos para a pessoa poder sustentar sua família. Me sinto triste por dentro em não poder arrumar uma coisa. Eu saio, passo o dia rodando atrás de emprego e só recebo ‘não’ na cara, chego em casa e fico olhando para a mulher e o menino, para as coisas que estão faltando, sem poder fazer nada. Não vou roubar para poder me complicar…”

O SONHO DE UMA CASINHA MELHOR

Dona Rosa teme que a casa caia

Dona Rosa teme que a casa caia

Dona Rosa, 59 anos, bairro Califórnia

“Já passei muitos momentos de dificuldade. O pior momento foi quando operei, fui tirar a mama, tive ir para Teresina, arranjar consulta, mas graças a Deus venci. Trabalho fazendo as coisas dentro de casa. Meu marido pega uns biquinhos, pesca, está desempregado faz é tempo. Estamos passando dificuldade, quando chega o mês de janeiro, quando entra o inverno, a gente passa dificuldade demais. Hoje em casa só tem feijão para comer. Somos seis aqui em casa, ninguém tem emprego, aqui acolá pega um bico, mas não é nem todo dia. Minha casa está para cair. As paredinhas tudo de taipa. Meu sonho é morar debaixo de uma casinha melhor”

 

“O poder público podia pelo menos dar essas casinhas pra gente morar. Nesse bairro aqui, não tem ajuda de nada. Os outros bairros tudinho tem casa que o governo manda fazer. Esse bairro tem calçamento em algumas ruas ali para cima, aqui mesmo não tem, faz é tempo que prometem, nunca vieram fazer. Espero para o futuro que mudem essas coisas que estamos passando. Aqui em Campo Maior várias pessoas passam necessidade, não é só eu não”

OS ESQUECIDOS PELO PODER PÚBLICO

Dona Valmira afirma que foi esquecida pelo poder público

 

Dona Valmira afirma que foi esquecida pelo poder público

Dona Valmira, 65 anos, bairro Califórnia

“O que eu acho é que está ‘estiorado’ demais. O calçamento nunca chegou aqui. Já sou aposentada e só vivo da minha aposentadoria para sustentar a família. Fui um dia atrás de uns miúdos de galinha para comer. Tenho para almoçar o que chegou, tem dia que nem tenho. O poder público devia ajudar. Meu sonho é ser muito feliz. Minhas filhas estão com as casas caindo e nunca tiveram condição de fazer as casas, ninguém ajudou elas, aqui desse lado somos esquecidos sabia? Aqui é difícil andar alguém aqui, você fica besta com a situação das pessoas, faz é pena as casas”.

NEM QUEM ESTÁ EMPREGADO SE SALVA

Dona Maria Sebastiana espera dias melhores para família

 

Dona Maria Sebastiana espera dias melhores para família

 

Maria Sebastiana de Sousa, 60 anos, bairro São João

“Sou filha de Sigefredo Pacheco e moro aqui a 32 anos. Trabalho, mas estou de licença porque estou operada, sou servidora da prefeitura, mas minha situação está complicada, o salário não dá para gente viver. Na minha casa mora eu e meu marido, mas na casa da minha filha tem três pessoas, todas sustentadas com meu salário, só eu estou empregada. Meu marido nem bico está fazendo porque não está tendo, é período da piracema e toda a família é sustentada com meu salariozinho. Não está fácil, as contas não estão sendo pagas porque não podemos, senão nem comemos, e é o básico. Para mim a cidade é muito boa, não tenho queixa da cidade, mas é um problema que atinge várias pessoas. Para meu futuro quero ver minhas filhas trabalhando, quem trabalha tem alguma coisa. Acho que deviam lançar mais concursos públicos, para zelador, para essas pessoas que estão sem trabalhar, quem não tem concurso, não tem segurança, acho que isso ajudaria muito essas pessoas que estão sem emprego”

A IMPOTÊNCIA DOS IDOSOS

Dona Lúcia espera contar com o direito a aposentadoria

 

Dona Lúcia espera contar com o direito a aposentadoria

Dona Lúcia, 58 anos, bairro Cariri

“Já passei muitas necessidades. Minha situação não está muito boa porque não tenho benefício nenhum. O benefício que tem é o Bolsa Família, meu pessoal me ajuda, se não fosse, a gente passava mais necessidades. Aqui na minha casa moram três pessoas, nenhum empregado. Quando dá, meus irmãos me ajudam, mas todos são pobres também. Quando chega nessa idade, se não tiver um aposento, é difícil. Se tivesse um aposento, era pouco, mas dava para ir. Eu achava melhor se tive emprego para todos, trabalho, que ninguém tem. Meu sonho é ter minha saúde, pelo menos um benefício, não passar fome, mas graças a Deus estamos indo do jeito que ele quer”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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