6 de maio de 2018
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Postado por Delta em 06/Maio/2018

PF reconhece voz de prefeito petista do Piauí em gravação de compra de votos

Esta semana será decisiva para os rumos da cidade de Paes Landim, a 404 km ao Sul de Teresina. Está marcada, para o próximo dia 10 de maio, a audiência de instrução e julgamento em Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), pedindo a cassação do atual prefeito da cidade, Gutemberg Moura de Araújo, o Gutim (PT).

Há um laudo da Polícia Federal afirma que a voz de um homem que faz a proposta para comprar votos de toda uma família é do prefeito Gutemberg (Foto: Reprodução Prefeitura de São João do Piauí)

Gutim é denunciado por compra de votos junto ao eleitor Jailton Lacerda Moraes. A acusação, na pessoa de Thales Moura Fé Marques, então candidato no pleito de 2016, e a coligação A Vitória que o Povo Quer diz ter uma prova contundente sobre o possível crime eleitoral. Há um laudo da Polícia Federal afirma que a voz de um homem que faz a proposta para comprar votos de toda uma família é do prefeito Gutemberg.

De acordo com a acusação, Gutim e Teliane foram à residência de Jailton e ofereceram R$ 6 mil em troca de votos deste eleitor e da família. A conversa, no entanto, foi gravada e encaminhada à análise da PF, concluindo as vozes do atual gestor da cidade de Paes Landim na proposta criminosa.

EMPREGO PÚBLICO E R$ 5 MIL

A conversa foi gravada no dia 8 de setembro de 2016, em uma terceira abordagem feita a Jailton.  Na primeira, Valdivino e Gutemberg pediram apoio do eleitor em troca de mantê-lo em emprego público na prefeitura. Na segunda, ofereceram R$ 5 mil aos pais de Jailton, tentando convencê-los a vender os votos da família.

A primeira audiência para investigar os fatos foi suspensa para que fosse feita perícia na gravação pela Polícia Federal, atestando que a prova era legítima. Agora, uma vez comprovada a autenticidade das provas, a acusação esse diz otimista quanto ao desfecho do caso.

GRAVAÇÃO ILÍCITA

A defesa de Gutemberg, por sua vez, tenta anular a principal prova dos autos, a gravação ambiental, afirmando que ela é ilícita. Mas, de acordo com o advogado de acusação, Carlos Yury de Morais, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a aceitar a gravação ambiental lícita de diálogo realizada por um de seus interlocutores.

“Esse entendimento é firmado pelo STF, ao julgar, em 2009, ação contra ex-prefeito pela suposta prática de prevaricação e de crime de responsabilidade: é razoável admitir que um dos interlocutores, nos casos de autodefesa ou de defesa de terceiras pessoas ou da coletividade, poderá levar essa prova a juízo”, observa Yury.

TRECHOS DA GRAVAÇÃO

Jailton – Mas na rua diz que fechou Raimundo Moura… Raimundo Moura não! Osmir, dez mil!

Gutim – Não! Foi cinquenta! Nós “demo” foi cinquenta, pro Osmir! Num foi… Eu dei foi cinco de dez mil! Tu acha que eu vou dar dez mil pro Osmir? Se eu for, eu dava dez mil pra “tudim”!

Jailton – Fecha, pelo menos, em seis, rapaz!

Gutim – Eu não posso dar mais do que mil nem pra mamão!

Teliane – Jailton! Nós “fecha” aqui, aqui, a família toda, por seis!

Gutim – E ainda é mil assim! Se Teliane me ajudar aqui, entendeu?

Jailton – Fecha, ao menos, seis a família toda! Seis!

Teliane – Fecha! Fecha! Eu fecho os seis mil! Gutim dá três e eu três! A família toda!

A audiência de instrução sobre o caso de Paes Ladim ocorrerá no próximo dia 10 de maio, quinta-feira. Veja a conclusão do laudo feito pela Polícia Federal, confirmando é mais plausível que a voz seja do prefeito Gutemberg do que a hipótese de não ser.

Defesa de Gutemberg tenta anular a principal prova dos autos, a gravação ambiental, afirmando que ela é ilícita (Foto: Divulgação)

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