3 de maio de 2018
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Postado por Delta em 03/Maio/2018

Santa Filomena: a cidade esquecida pelo governo

Santa Filomena: a cidade esquecida pelo governo

Veículos realizando a travessia por balsa, no local onde os moradores reivindicam a ponte. Foto: Jociel Costa/Clube Notícias

Localizada a 930km ao Sul de Teresina, Santa Filomena tem quase nenhuma ligação com a capital devido a enorme distância. No entanto, o problema parece ser bem maior. Com problemas na saúde, educação, segurança e infraestrutura, a cidade se mostra distanciada mesmo é do Governo do Estado, com problemas que há anos esperam solução e nunca foram resolvidos.

Cidade pacata, construída sobre as serras, tem população estimada em pouco mais de seis mil habitantes. Seu maior destaque fica para o agronegócio, com produção de soja, feijão e pecuária, que lhe dá o terceiro lugar na arrecadação do PIB estadual. Em dados per capitos, segundo o IBGE, a renda por pessoa na cidade seria de R$33 mil.

No entanto, tal riqueza não se reflete no município, e os problemas começam com a infraestrutura. A cidade conta com ruas precárias, muitas de chão batidos e vários buracos. Energia elétrica é de péssima qualidade. Sinal de celular e internet são quase inexistentes. Não existe tratamento da água consumida pela população. Tal realidade é vista facilmente em uma rápida volta pela cidade, tornando a situação mais revoltante ao ver que na cidade vizinha, Alto Parnaíba, no estado do Maranhão, conta com uma estrutura consideravelmente melhor, mesmo sendo tão distante da capital maranhense.

Outro problema está relacionado com a travessia das cargas e pessoas de Santa Filomena para a cidade do estado vizinho. Não existe ponte, sendo o trajeto realizado por balsas, no caso de veículos grandes, e barquinhos, para motos e pessoas. O trajeto é caro, custando até R$297 a depender do caminhão a realizar tal travessia. Para os produtores isso se torna prejuízo, pois as carretas necessitam ir para o Maranhão, sendo um custo a mais no valor da venda. Em busca da solução do problema, os filomenses se uniram e realizaram uma passeata em prol da construção da ponte de poucos metros, mas não foram atendidos.

Em relação a segurança, os moradores se queixam que há meses não veem policiais na cidade, sendo necessário se dirigir até a cidade de Corrente, que fica à 220km de distância, para realizar um boletim de ocorrência. Cassione Santos é um dos moradores que reclamam da insegurança, denunciando que até tem policiais no município, mas suas funções são desviadas. “A última vez que vi um policial na cidade faz uns quatro meses. No entanto, eles circulam na área das fazendas, como se estivessem fazendo a segurança das redondezas. Isso é errado, porque a polícia protege a poucos, deixando a cidade praticamente inteira desprotegida”, comentou.

Apesar do prefeito ser médico, a saúde de Santa Filomena não é vista como prioridade. Na cidade existe um hospital, mas segundo os moradores, o atendimento é precário, sendo necessário longos deslocamentos em casos mais graves, como relata o radialista Reginaldo Negreiros. “Se alguém na cidade necessitar de atendimento mais complexo, terá que suportar a viagem até o hospital de Floriano ou Bom Jesus. A distância é muito grande e os riscos do doente piorar no caminho são enormes. Isso tudo porque não temos nenhum posto de saúde digno no município”, afirmou.

Sobre a educação, a cidade enfrenta um verdadeiro dilema. Escolas sem professores, e os que nela trabalham têm salários baixíssimos, problemas estruturais, entre outros. Devido as escolas serem centralizadas, quem mora na zona rural precisa se deslocar cerca de 50km para cursar o ensino médio, que não é ofertado fora do perímetro urbano, prejudicando mais de mil pessoas.

O serviço de energia elétrica também é deficitário. Segundo moradores, quando há queda de energia, ela demora dias para voltar, como relata o corretor Gervásio Rodrigues. “Muitas vias não tem iluminação pública, mas pagamos a taxa mensalmente. A fiação que leva energia para as casas foi feita de forma artesanal. Recentemente, um dos nossos povoados no interior ficou quinze dias sem energia, prejudicando diversos comerciantes”, relatou. Gervásio afirma que se o governo investisse verdadeiramente na cidade, a situação seria bem diferente, principalmente devido às riquezas que nela são produzidas. “Não recebemos a visita de governador, deputado, senador, de ninguém. Somos completamente desassistidos! Uma cidade que produz tanto e é completamente esquecida”, declarou.

Visando melhorar a situação dos moradores, Gervásio levou para o município, o pré-governador pelo PSC, Valter Alencar, que se reuniu com cerca de cinquenta pessoas das mais diversas regiões para apontar os principais problemas que eles enfrentam. Valter considera que encontros como estes são de suma importância, pois ao conhecer de perto a realidade povo, poderá saber melhor como trabalhar neles. O radialista Reginaldo esteve presente na reunião, comentou que a iniciativa foi importante para os moradores do município. “Estamos cansados das promessas do governo, da prefeitura, que nada fazem, que lembram de nós apenas em período eleitoral. Estamos desacreditados na política. Iniciativas como a do Valter, de conhecer a situação da cidade e ouvir os moradores antes da campanha, são essenciais e nos fazem acreditar no novo que tanto queremos, pois o velho sabemos que não faz nada”, finalizou.

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